Tapping no pós-parto: como a técnica pode ajudar na recuperação, diminuir o edema e melhorar a sensação de “órgãos soltos”

Ana Escher

O pós-parto é um período de muitas transformações no corpo da mulher. Além das mudanças emocionais e hormonais, o corpo precisa se reorganizar depois de meses de gestação. Nesse momento, muitas mulheres relatam sintomas como inchaço, sensação de peso na pelve, desconforto abdominal e até a impressão de que os “órgãos estão soltos”.

Nos últimos anos, o tapping no pós-parto tem ganhado destaque como uma estratégia complementar para auxiliar na recuperação corporal, melhorar a percepção do corpo e proporcionar mais conforto nessa fase tão delicada.

O que é o tapping?

O tapping é uma técnica terapêutica que utiliza estímulos suaves e rítmicos sobre a pele e os tecidos corporais. Dependendo da abordagem utilizada, ele pode envolver pequenos toques, estímulos sensoriais e movimentos específicos para melhorar a consciência corporal, estimular a circulação e auxiliar na reorganização dos tecidos.

Na fisioterapia, o tapping pode ser aplicado de forma estratégica para ajudar na recuperação funcional do corpo da mulher após a gestação e o parto.

Como o corpo muda no pós-parto?

Durante a gravidez, o corpo passa por adaptações intensas:

  • aumento da pressão abdominal;
  • alteração da postura;
  • enfraquecimento da musculatura abdominal e do assoalho pélvico;
  • retenção de líquidos;
  • mudanças hormonais importantes.

Após o nascimento do bebê, o organismo inicia um processo gradual de recuperação. Porém, algumas mulheres sentem:

  • sensação de abdômen “mole”;
  • peso na região íntima;
  • edema corporal;
  • sensação de instabilidade;
  • dificuldade de reconhecer o próprio corpo;
  • sensação de “órgãos soltos”.

Essas queixas são mais comuns do que muitas imaginam — e merecem atenção.

Tapping no pós-parto e melhora da recuperação

Um dos principais benefícios do tapping no pós-parto é auxiliar na melhora da recuperação corporal de maneira suave e respeitosa.

Os estímulos promovidos pela técnica podem ajudar:

  • na ativação sensorial;
  • na consciência corporal;
  • na reorganização da musculatura abdominal;
  • no relaxamento de tensões;
  • na percepção de estabilidade do tronco e da pelve.

Muitas mulheres relatam sentir o corpo “mais conectado” após as sessões.

A recuperação pós-parto não envolve apenas estética: ela está diretamente relacionada à funcionalidade, conforto e qualidade de vida da mulher.

Tapping e diminuição do edema no pós-parto

A diminuição do edema é outro benefício frequentemente observado.

O inchaço é comum no pós-parto devido às alterações hormonais, retenção de líquidos e mudanças circulatórias. Em alguns casos, ele pode persistir por semanas.

O tapping pode auxiliar na estimulação da circulação local e da drenagem dos líquidos, favorecendo:

  • redução do inchaço;
  • melhora do desconforto;
  • redução da tensão nos tecidos.

Quando associado à fisioterapia pélvica e aos cuidados adequados, os resultados podem ser ainda melhores.

Sensação de “órgãos soltos” no pós-parto: por que isso acontece?

A sensação de “órgãos soltos” é uma queixa muito frequente, mas pouco falada entre as mulheres.

Ela pode ocorrer devido:

  • ao enfraquecimento abdominal;
  • às alterações do assoalho pélvico;
  • à pressão sofrida pelos tecidos durante a gravidez;
  • às mudanças hormonais;
  • à diminuição da estabilidade corporal.

Essa sensação costuma gerar insegurança e medo, principalmente nos primeiros meses do pós-parto.

O tapping pode ajudar justamente na melhora da percepção corporal e no estímulo sensorial da região abdominal e pélvica, contribuindo para uma sensação maior de sustentação e estabilidade.

O tapping substitui a fisioterapia pélvica?

Não. O tapping é uma ferramenta complementar.

A avaliação individualizada é fundamental para entender as necessidades de cada mulher no pós-parto. Em muitos casos, a fisioterapia pélvica será importante para trabalhar:

  • fortalecimento do assoalho pélvico;
  • recuperação abdominal;
  • dor;
  • cicatriz de cesariana;
  • postura;
  • retorno às atividades físicas.

O tapping pode ser associado ao tratamento para potencializar a recuperação e melhorar o conforto da paciente.

Quando iniciar o tapping no pós-parto?

Isso depende de cada caso e da avaliação profissional.

Em geral, técnicas suaves podem ser iniciadas precocemente, respeitando:

  • o tipo de parto;
  • a presença de dor;
  • cicatrizes;
  • edema;
  • condições clínicas da paciente.

Cada mulher possui um tempo único de recuperação.

Pós-parto também é cuidado com a mulher

Muitas vezes toda a atenção fica voltada para o bebê, enquanto a mulher tenta lidar sozinha com as mudanças físicas e emocionais do pós-parto.

Mas recuperar-se também faz parte da maternidade.

Sentir edema, desconforto, fraqueza abdominal ou sensação de “órgãos soltos” não deve ser ignorado. Com acompanhamento adequado, é possível ter uma recuperação mais confortável, funcional e segura.

O tapping no pós-parto surge como uma estratégia complementar que pode ajudar na melhora da recuperação, na diminuição do edema e na redução da sensação de “órgãos soltos”, promovendo mais consciência corporal e conforto para a mulher nessa fase tão intensa.

Cada pós-parto é único. Por isso, buscar orientação profissional faz toda a diferença para uma recuperação saudável e acolhedora.

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