Tendinite Patelar: Quando o Repouso Não Resolve e Como a EPI Pode Auxiliar na Recuperação

Thiago Alfama

Eu recebo frequentemente pacientes com diagnósticos de tendinite patelar, tendinose patelar ou simplesmente “dor no tendão do joelho” que já passaram por diversos tratamentos. Muitos fizeram repouso prolongado, utilizaram anti-inflamatórios, aplicaram gelo, realizaram sessões de fisioterapia convencional e, mesmo assim, continuam sentindo dor ao correr, saltar, subir escadas ou treinar.

Na maioria dessas situações, o problema não está relacionado apenas à inflamação. Na verdade, muitos desses pacientes apresentam uma condição chamada tendinopatia patelar, um processo mais complexo que envolve alterações estruturais do tendão e redução da sua capacidade de suportar carga.

Dentro de um programa de reabilitação baseado em evidências, uma das ferramentas que utilizamos na Clínica Fortius é a Eletrólise Percutânea Intratissular (EPI®), uma técnica que busca estimular mecanismos biológicos de reparação do tecido lesionado.

O Que é a Tendinopatia Patelar?

A tendinopatia patelar é uma condição caracterizada por dor localizada na região inferior da patela, diminuição da capacidade funcional e redução da tolerância às cargas mecânicas.

É muito comum em praticantes de esportes que envolvem saltos, corridas e mudanças rápidas de direção, motivo pelo qual também é conhecida como “joelho do saltador”.

Durante muitos anos acreditou-se que esses quadros eram causados exclusivamente por inflamação, o que levou ao uso do termo “tendinite”. Entretanto, estudos demonstraram que a maioria dos casos crônicos apresenta predominantemente alterações degenerativas da matriz extracelular, com pouca evidência de um processo inflamatório clássico.

Por esse motivo, atualmente o termo tendinopatia é considerado mais adequado.

O Que Acontece com o Tendão?

Em um tendão saudável, as fibras de colágeno tipo I encontram-se organizadas paralelamente, permitindo que o tecido suporte elevadas cargas de tração.

Na tendinopatia, ocorre uma desorganização progressiva dessa estrutura. O colágeno tipo I é gradualmente substituído pelo colágeno tipo III, que apresenta menor resistência mecânica e disposição menos organizada.

Além disso, observa-se:

  • Alteração da atividade dos tenócitos;
  • Aumento de proteoglicanos e conteúdo hídrico;
  • Espessamento do tendão;
  • Neovascularização;
  • Crescimento de fibras nervosas no interior do tecido;
  • Redução da capacidade de armazenamento e liberação de energia.

Essas alterações tornam o tendão menos eficiente e mais suscetível à dor e à incapacidade funcional.

Por Que a Tendinopatia se Desenvolve?

A tendinopatia é considerada uma condição multifatorial.

Na maioria dos casos, existe um desequilíbrio entre a carga aplicada e a capacidade do tendão de se adaptar a essa carga.

Entre os fatores mais frequentemente associados estão:

  • Aumento súbito de volume ou intensidade de treino;
  • Excesso de saltos e corridas repetitivas;
  • Falta de recuperação adequada entre estímulos;
  • Déficits de força muscular;
  • Alterações biomecânicas;
  • Diabetes;
  • Obesidade;
  • Uso de fluoroquinolonas;
  • Uso repetido de corticosteroides.

Em termos simples, a tendinopatia surge quando a demanda mecânica supera a capacidade biológica de adaptação do tecido.

O Que é a EPI?

A Eletrólise Percutânea Intratissular (EPI®) é uma técnica minimamente invasiva utilizada no tratamento de diversas lesões musculoesqueléticas, especialmente tendinopatias crônicas.

O procedimento consiste na aplicação de uma corrente galvânica de baixa intensidade através de uma agulha fina inserida na região lesionada.

Embora muitas pessoas associem o tratamento apenas ao uso da agulha, o principal diferencial da técnica é justamente a corrente elétrica aplicada ao tecido.

O objetivo não é simplesmente aliviar a dor, mas estimular uma resposta biológica controlada capaz de favorecer os mecanismos naturais de reparação tecidual.

Como a EPI Atua no Tendão?

Em tendinopatias crônicas, o tecido frequentemente apresenta baixa atividade metabólica e dificuldade de remodelação.

A aplicação da corrente galvânica produz uma reação eletroquímica local que estimula processos biológicos relacionados ao reparo tecidual.

Estudos experimentais demonstraram aumento da expressão de fatores associados à regeneração, angiogênese e remodelação da matriz extracelular após a aplicação da técnica.

Na prática clínica, isso significa criar um ambiente mais favorável para que o organismo remova tecido degenerado e inicie um processo de reconstrução mais eficiente.

O Que Diz a Ciência?

Um estudo clínico randomizado publicado no Journal of Orthopaedic Surgery and Research avaliou pacientes com tendinopatia patelar tratados com exercícios excêntricos associados à EPI® e comparou os resultados com um grupo submetido a modalidades convencionais de eletrofisioterapia.

Os autores observaram melhora significativa da dor e da função no grupo tratado com EPI®, sugerindo que a técnica pode representar uma ferramenta útil dentro da reabilitação da tendinopatia patelar.

Os resultados reforçam um conceito importante: a recuperação do tendão não depende apenas da redução dos sintomas, mas também da estimulação adequada dos mecanismos biológicos de reparação.

EPI ou Exercícios?

A resposta correta é: EPI e exercícios.

O maior erro é acreditar que qualquer técnica passiva, por melhor que seja, conseguirá restaurar sozinha a capacidade funcional do tendão.

Os tendões se adaptam à carga.

Por isso, após o controle da dor e a melhora da capacidade tecidual, é fundamental que o paciente seja submetido a um programa estruturado de fortalecimento progressivo.

A literatura científica demonstra consistentemente que a carga progressiva continua sendo o principal estímulo para reorganização do colágeno e recuperação da capacidade mecânica do tendão.

A EPI atua como uma ferramenta complementar capaz de potencializar esse processo.

Como Utilizamos a EPI na Clínica Fortius?

Na Clínica Fortius, a EPI não é utilizada como tratamento isolado.

Cada paciente passa por uma avaliação detalhada para identificar fatores relacionados à sobrecarga, déficits de força, limitações de mobilidade e alterações do controle motor.

A partir dessa análise, elaboramos um plano individualizado que combina:

  • Controle adequado da carga;
  • Exercícios terapêuticos progressivos;
  • Fortalecimento muscular;
  • Educação do paciente;
  • Estratégias de retorno ao esporte;
  • Recursos complementares, como a EPI®, quando indicados.

Nosso objetivo não é apenas reduzir a dor, mas devolver ao tendão sua capacidade de suportar carga com segurança e eficiência.

Conclusão

A tendinopatia patelar é uma condição complexa que vai muito além da simples inflamação. Trata-se de uma alteração estrutural e funcional do tendão, geralmente relacionada a um desequilíbrio entre demanda mecânica e capacidade de adaptação do tecido.

A Eletrólise Percutânea Intratissular (EPI®) surge como uma ferramenta promissora para estimular mecanismos biológicos de reparação e auxiliar no processo de recuperação. Entretanto, os melhores resultados são obtidos quando a técnica é integrada a um programa completo de reabilitação baseado em carga progressiva.

Mais importante do que eliminar a dor é restaurar a capacidade do tendão de responder adequadamente às demandas do dia a dia, do esporte e da vida.

Aproveite para agendar agora seu atendimento pelo whatsapp.

Aproveite para agendar agora seu atendimento pelo whatsapp.​

Leia mais...

#AgulhamentoSeco

Por que eu uso o agulhamento seco?

Thiago Alfama

Leia +

#menopausa

Acordar às 3 da manhã todos os dias pode ter relação com a menopausa?

Amanda Gravi

Leia +

#DNS

Como o DNS pode melhorar o equilíbrio e reduzir o risco de quedas em idosos

Camila Sperb Steffan

Leia +

#Eletroestimulação

O Poder da Ciência no Movimento: Por que a EMS é a Revolução para a Saúde Muscular e Longevidade em Idosos

Vinicius Machado

Leia +