A perna curta (dismetria) e a tensão neural são condições frequentemente relacionadas e abordadas na quiropraxia, pois uma perna mais curta do que a outra, seja ela real (verdadeira) ou funcional (falsa), pode causar desvios na coluna vertebral, gerando lesões e sintomas como dores, formigamentos e tensão nos nervos. A quiropraxia busca tratar a causa raiz, geralmente relacionada a disfunções na pelve, coluna lombar, torácica ou cervical que afetam a tensão nervosa.
O Leg Check, amplamente utilizado, é um método central em muitas técnicas quiropráticas, consiste em verificar se uma perna está ‘mais curta’ que a outra. Dependendo da técnica que utiliza o Leg Check, a avaliação pode ser feita em decúbito dorsal, ventral ou com o avaliado sentado.
(A hipótese neurológica abaixo refere-se ao Leg Check em prono, já que existem algumas variáveis para a avaliação em supino.)
A ‘perna curta’ é considerada um indicativo de subluxação vertebral. Os detalhes específicos variam de acordo com os procedimentos de cada técnica, mas nossa ênfase aqui é em entender o que é essa perna curta e por que ela ocorre, para então discutir sua relação com a subluxação vertebral.
Um corpo balanceado, sem interferências na comunicação entre o cérebro e os demais sistemas, portanto sem disfunções proprioceptivas, normalmente apresenta pernas de igual comprimento e contração muscular postural significativamente simétrica, exceto em casos de alterações anatômicas/morfológicas.
Quando ocorre a disfunção motora nas articulações vertebrais, desencadea-se uma série de reações fisiológicas, muitas delas quase que simultaneamente. Essas reações incluem:
- Estimulação neuromuscular: O músculo que se insere na vértebra desalinhada será esticado, estimulando os fusos neuromusculares e os órgãos tendinosos de Golgi (é um mecanorreceptor sensorial localizado na junção entre músculos e tendões, que monitora a tensão muscular).
- Alterações na cápsula articular: A cápsula articular de uma ou mais articulações facetárias (dependendo da listagem) apresentará uma pequena tensão, começando a formar o ‘nódulo’ característico. Outras cápsulas articulares, por sua vez, podem ter redução da tensão, e essa diferença será percebida pelos receptores nociceptivos e proprioceptivos das cápsulas.
- Aumento de atrito e inflamação: As superfícies facetárias da articulação com espaço reduzido devido à alteração de movimento, sofrerão um aumento de atrito, causando microdanos e um subsequente processo inflamatório. Esse processo é um dos principais responsáveis pelo edema, dor e alteração de temperatura local, fatores que também prejudicam as funções proprioceptivas da região e são avaliados em algumas técnicas.

Todas essas informações proprioceptivas são conduzidas pelo trato espinocerebelar dorsal e ventral, utilizando fibras nervosas do tipo A (especificamente, Aα e Aβ), até o cerebelo. O cerebelo processa essas informações para coordenar e ajustar movimentos inconscientes, sem envolver diretamente o tálamo ou o córtex cerebral para essa função.
Paralelamente, as informações de dor são transmitidas diretamente ao tálamo pelo trato espinotalâmico lateral. Essas informações são conduzidas por fibras do tipo C (para dor lenta e difusa) e Aδ (para dor rápida e aguda). Após o tálamo, os sinais de dor são direcionados ao córtex somatossensorial primário, onde a dor é percebida de forma consciente.
Em resposta às informações proprioceptivas e nociceptivas recebidas, o córtex motor e o córtex somatossensorial desencadeiam uma série de adaptações (ou más adaptações). Essas respostas podem incluir o reposicionamento da cabeça e dos olhos, a reorganização da musculatura postural, entre outras mais complexas, que visam manter o equilíbrio e a postura o melhor possível.
Através do trato vestíbulo-espinhal, os núcleos vestibulares coordenam a resposta dos músculos posturais, resultando na contração assimétrica desse grupo de músculos (especialmente os da pelve e dos membros inferiores). Essa contração assimétrica, baseada nas informações alteradas decorrentes da subluxação vertebral, é o que causa o fenômeno de uma perna ‘mais curta’.
- Perna Curta e Tensão Neural: Diferenças no comprimento das pernas (dismetria) podem ser anatômicas ou funcionais. A perna mais curta pode causar tensão na musculatura e, consequentemente, afetar os nervos, como o ciático por exemplo.
- Ação da Quiropraxia: A utilização do leg check (verificação de pernas) como parte da avaliação neurológica para identificar subluxações vertebrais.
- Ajuste Quiroprático: Através de ajustes, o quiropraxista busca equilibrar o sistema neuro-músculo-esquelético, aliviando a tensão nas pernas e na coluna, o que ajuda a reduzir dores, incluindo aquelas decorrentes da ciatalgia.
- Avaliação de Tensão Neural: Testes específicos, como a movimentação ativa do nervo ciático e a dorsiflexão dos pés, podem ser utilizados para avaliar a tensão nervosa.
- Resultados: Com o tratamento, busca-se a redução da dor e a melhora no alinhamento postural, aliviando a carga excessiva na coluna e reduzindo a tensão nervosa.
A razão direta pela qual as pernas apresentam diferença de comprimento é a contração assimétrica da musculatura postural, envolvendo a pelve e membros inferiores, em resposta a uma disfunção proprioceptiva decorrente do desalinhamento de uma vértebra.
Essas reações fisiológicas podem ser observadas em um contexto de causa e efeito clínico, no qual as pernas se igualam tão logo a subluxação vertebral seja corrigida.
As respostas são rápidas, pois as fibras nervosas que transmitem informações sobre essas posições vertebrais aberrantes são do tipo 1A, as mais rápidas do corpo humano. No entanto, a dor local pode persistir, embora amenizada, pois, apesar do estímulo ter cessado, o sistema linfático precisará de mais tempo para remover os mediadores químicos da inflamação.
É recomendado procurar um quiropraxista especializado para um diagnóstico preciso, pois a diferença entre as pernas pode ser estrutural (osso) ou funcional (desalinhamento pélvico/vertebral), exigindo abordagens diferentes.
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